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NOTÍCIA DE DIEESE |
* O JORNAL PANFLETARIO DE LUTA DOS TRABALHADORES DA WHIRLPOOL *

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NOTÍCIA DE DIEESE |
1. Considerando que a atual crise financeira não foi gerada pelos trabalhadores, mas sim pelos especuladores;
2. Considerando que no Brasil o empresariado em momentos de crises do próprio capitalismo, sempre usou das demissões e cortes de benefícios para manter seus lucros;
3. Considerando que a maioria das empresas nos últimos anos, teve lucros exorbitantes, outros segmentos da indústria continuam crescendo, mesmo com a atual crise financeira mundial e ainda assim, estão pressionando os governos para obterem facilidades e benefícios;
4. Considerando que muitas empresas estão demitindo, outras ameaçando demitir, mesmo com acordos de flexibilização, ainda aquelas que querem reduzir jornada com redução salarial ou até excluir benefícios, como assistência médica entre outros, criando na sociedade brasileira um verdadeiro clima de pânico, desconforto e insegurança, pois é ela que no final sempre arca com os custos de todas as crises geradas pelo capitalismo.
5. Considerando que, com argumentos de que a crise econômica atingiu seus negócios, empresários estão modificando horários de trabalho, com o claro propósito de “flexibilizar” a legislação trabalhista, fato que, se acontecer estará aumentando o abismo existente entre a maioria dos mais pobres e a minoria dos mais ricos deste país.
6. Considerando que, se alguma empresa, em face da crise econômica, se encontrar impossibilitada de cumprir com suas obrigações trabalhistas deve se submeter à justiça do trabalho e lá comprovar a sua situação;
7. Considerando que o salário do trabalhador brasileiro é um dos mais baixos do mundo, uma vez que, segundo o Dieese ( Departamento de Estatísticas e Estudos Socieconômicos) o salário mínimo para sobrevivência no Brasil, em janeiro/2009 seria de R$ 2.077,00.
8. Entendemos que demitir e flexibilizar direitos causará a redução do poder aquisitivo da classe trabalhadora e esta não é a solução para a crise, ao contrário, demissão e flexibilização só agravarão o problema, pois a economia ficará estancada. O caminho para enfrentarmos a crise passa pelo aquecimento do mercado interno, com a manutenção dos empregos e dos salários, assegurando-se assim, o poder de compra do trabalhador. Esta é a engrenagem que move a economia.
Neste sentido, os dirigentes sindicais de Limeira que assinam o presente manifesto, posicionam-se contra as demissões, as reduções salariais, a flexibilização de qualquer direito trabalhista e outras atitudes patronais que visem reduzir conquistas dos trabalhadores, como justificativa de solução para a crise econômica global.
Para lutar contra a crise, propomos:
1. Resistir a qualquer tentativa de golpe que pretenda reduzir, excluir ou flexibilizar direitos trabalhistas, pois as empresas que receberam benefícios e facilidades do governo e obtiveram altos lucros nos últimos anos têm obrigação de manter os empregos e os salários de seus trabalhadores.
2. Redução da jornada sem redução de salário;
3. Estabilidade no emprego;
4. Utilização do dinheiro público para socorrer os trabalhadores e não banqueiros e especuladores;
5. Criação do Comitê Sindical Contra a Crise.
Os/as sindicalistas de Limeira que assinam este manifesto, sempre estarão abertos às negociações, desde que o assunto em pauta não seja em detrimento da sobrevivência do trabalhador e da sua família que depende do seu salário.
A classe trabalhadora não pode pagar, mais uma vez, o custo da crise que ela não causou.
SINDICATOS
APEOESP
Sindicato dos Trabalhadores Vestuários
Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação
Sindicato dos Trabalhadores Bancários
Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Bares e Restaurantes
Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos
Sindicato dos Trabalhadores Químicos
Sindicato dos Trabalhadores Vigilantes
Sindicato dos Servidores Públicos
Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Urbano
Sindicato dos Professores
Sindicato das Domésticas

Um protesto dos operários da fábrica mecânica de Kherson, na Ucrânia, decorre desde o dia 2 de Fevereiro, quando os operários ocuparam o edifício da administração. Durante uma semana, a ocupação foi manchete noticiosa, atraindo mesmo a atenção internacional.
Os operários actuaram decidida e responsavelmente e deram um exemplo para milhões de ucranianos, que sofrem diariamente humilhações e injustiça às mãos dos seus patrões. Os operários desta fábrica deram este passo, apesar da actual baixa intensidade do movimento dos trabalhadores na Ucrânia. Ao faze-lo, demonstraram, não apenas o seu próprio instinto - em luta pela sobrevivência - mas a sua preocupação pelo destino da sua fábrica.
A fabrica tem 120 anos. É a maior - provavelmente a única - fábrica de maquinaria agrícola na Ucrânia. Sofreu fortemente durante os anos 90 e, como muitas outras fábricas, quase colapsou a seguir à privatização após o colapso da economia planificada estalinista da Ucrânia.Com a sua velha maquinaria, era incapaz de competir efectivamente com o equipamento importado. Passou de um dono para outro, e para outro. Com cada transferência de propriedade, as condições de trabalho na Kherson pioravam. Atrasos nos pagamentos de salários eram frequentes e algumas vezes tiveram consequências trágicas.
Em 2006, um operário não conseguiu aguentar mais e enforcou-se no meio da fábrica. Isso naturalmente que enfureceu os outros operários e a administração finalmente arranjou dinheiro para os salários; com receio que se não o fizesse as consequências fossem catastróficas.
Nos últimos meses de 2007, Veio um novo dono, Alexander Oleinik, que acontece ser um dirigente do PArtido das Regiões (o partido russofano de Viktor Yanukovich). Começou uma “reestruturação” da fábrica, que foi pouco mais que uma desculpa para tirar os bens da empresa.
O novo dono não queria saber da sua responsabilidade em pagar os salários em atraso acumulados pelo seu antecessor, mesmo que tenha ficado com grandes stocks de mercadoria.
Em Março de 2008 estávamos com mais atrasos de pagamentos de salários. Em Setembro, deixaram de pagar completamente. Em Outubro cortaram 3 dias de trabalho por semana . Em Novembro foram planeados despedimentos e começaram as pressões para os operários chagar a “acordo”. Muitos dos mais jovens concordaram, não vendo futuro na fábrica. Isso deixou os operários mais velhos, que passaram a maior parte das suas vidas na fábrica.
Quando chegaram ao trabalho a 20 de Janeiro de 2009, viram um aviso que a tesouraria e o sector administrativo iriam ser mudadas para outra cidade. De imediato uma multidão se reuniu e ocupou as instalações, onde os trabalhadores se mantêm protestando contra o encerramento da fábrica.
A 2 de Fevereiro os operários constituíram o Conselho Operário e ocuparam em definitivo o bloco da administração. Esta novo corpo de auto-gestão, dirigido por um operário especializado, Lionid Nemchonok, exige o pagamento dos salários em atraso a serem pagos pelo patrão e o governo, a nacionalização da fábrica, o congelamento das contas bancárias de Olienik e que o estado assegure que a a fábrica se mantêm a funcionar A 3 de Fevereiro, os operários rebaptizaram a fábrica: Fábrica ESTATAL de Mecânica de Kherson”.
No dia seguinte, as autoridades da cidade apareceram para falar com os operários, no auditório da fábrica. O Presidente do Município começou por expressar a sua “solidariedade” com os trabalhadores. Disse ter um plano, mas não deu detalhes dele. Sob pressão, ofereceu um aval de 2 milhões de Grivna do orçamento social da cidade para os salários da fábrica. A proposta foi rejeitada pelos operários. Primeiro, só tinha que cobrir metade dos salários em atraso. Segundo, o orçamento social da cidade era para ajudar outros trabalhadores e não queriam ver os seus problemas resolvidos às custas de outros trabalhadores.
No último Sábado, realizou-se uma grande marcha de solidariedade. Mais de mil pessoas participaram, com muitos jovens da cidade, moradores e sindicalistas de outras cidades também estiveram presentes. Na frente da marcha iam os dirigentes do Conselho Operários, activistas de esquerda, (incluído militantes do CIT) e estudantes da Universidade de Simferopol.
Os cartazes levados pelos operários diziam”Façam os oligarcas pagara a crise” “Dêem salários aos operários e o controlo da fábrica!” , “Já não esperamos milagres, ocupámos a fábrica”, “Hoje Kherson, amanhã toda a Ucrânia”. Em resposta a políticos de partidos como o Partido Comunista, que apenas dão conforto, o principal slogan da marcha foi “Não fiques nos escombros, leva avante a greve!”
Entre os oradores estavam sindicalistas de outras cidades. Um prós a eleição de uma nova gestão de empresa e a contratação de pessoal técnico para preparar a fábrica para a produção. Como ele disse, se os operários exigem a nacionalização, tem de se discutir como é que a fábrica será gerida.

Cerca de duzentos trabalhadores ocuparam a histórica fábrica Waterford Crystal em Kilbarry, perto de Waterford, na Irlanda. A ocupação começou na sexta-feira, em resposta à decisão da empresa falida de parar a produção por um período, fechar a fábrica (lock-out) e demitir cerca de 480 trabalhadores (de cerca de 800). As lojas da região têm fornecido alimentos e bebidas à ocupação.
O posicionamento da empresa, sob condições de um aprofundamento da crise econômica na Irlanda e internacionalmente, surgiu pouco depois de David Carson, um dos seus representantes, quebrar uma promessa feita anteriormente em nome da empresa, de que seria mantida a produção no local — onde são produzidos cristais de luxo para o mercado mundial.
Negociações pela compra da empresa estão em curso há algumas semanas, com dois potenciais compradores. A KPS Capital e a Clarion Capital consideram a compra do grupo Waterford Wedgewood, mas já relatam sua intenção de manter apenas 300 postos de trabalho na fábrica.
Membros do sindicato deixaram claro que não fariam nada para proteger os empregos dos trabalhadores. A Clarion apresentou uma nova proposta que aguarda a aprovação do sindicato Unite, com o secretário regional Jimmy Kelly afirmando que o Unite foi "encorajado" a aceitar.
Segundo a agência de notícias irlandesa RTE, somente 200 trabalhadores foram chamados para trabalhar no dia 02/02 — ou seja, aqueles que não receberam as cartas de demissão na sexta-feira à noite. O sindicato Unite, por sua vez, disse aos 200 restantes que aquele dia era um dia de trabalho normal.
A Waterford Wedgewood foi colocada sob administração judicial no mês passado, após não ter recebido uma extensão de crédito por parte dos bancos. A empresa emprega 800 trabalhadores em Waterford e mais de 6000 em todo o mundo, incluindo 1500 na Indonésia. Outras operações são terceirizadas em países como Brasil, Romênia e Eslovênia. A empresa ruiu após não conseguir pagar uma dívida de 449 milhões de Euros. Cerca de 367 demissões também foram anunciadas em Staffordshire, na Inglaterra, onde permanecem 1900 empregados pela empresa.
A ocupação é a prova de que amplas camadas dos trabalhadores buscam meios coletivos para resistir ao forte ataque contra seus padrões de vida que a crise financeira mundial traz consigo.
A intenção de Carson de parar a produção “vazou” aos trabalhadores e sindicalistas por antigos gestores da empresa. A notícia se espalhou a todos os trabalhadores e 60 ou 70 deles correram até a fábrica para paralisar toda a força de trabalho. Para outros, a primeira indicação do lock-out se deu quando o pessoal de segurança tentou fechar as portas. Nenhuma notificação oficial foi emitida aos funcionários, ou ao sindicato Unite.
Equipes de segurança privada que estiveram no local ao longo das últimas semanas tentaram barrar a ocupação, mas os trabalhadores conseguiram assumir o controle tanto da fábrica quanto de seu centro de visitação. Uma pessoa alegou ter se ferido levemente.
Cerca de 100 trabalhadores dormiram na fábrica durante a primeira noite. Colegas e parentes trouxeram roupas de cama e alimentos, enquanto um turno rotativo de oito horas foi estabelecido para garantir que até 40 trabalhadores estivessem no local a qualquer momento. Os trabalhadores dizem que estão comprometidos a permanecer no local até que a decisão do fechamento da fábrica seja revertida. Uma manifestação foi realizada fora da fábrica no sábado, da qual participaram cerca de 2000 apoiadores.
Muitos dos trabalhadores mais velhos trabalharam na Waterford por décadas, construiram pensões — que agora estão em perigo — e têm poucas perspectivas de um emprego alternativo.
John Dooley, um dos trabalhadores envolvidos, disse ao Irish Times que ainda espera receber 30.000 euros de pagamentos demissionais e mais 55.000 euros da empresa. "55.000 euros é pouco dinheiro para 46 anos de serviço — e seria necessário pouquíssimo dinheiro por parte do governo para manter este lugar funcionando. Nós vamos ficar aqui bastante tempo. Não temos nada a perder!".
Dooley entrou na empresa em 1962.
"Hoje eles puxaram nossa ficha", disse Jean Croke para o Irish Independent. "Fomos esquecidos. Muitos de nós viemos pra cá diretamente da escola, não trabalhamos em nenhum outro lugar. Como é que vamos arranjar um emprego agora? Não há nada lá fora para nós".
Por outro lado, as declarações dos membros do sindicato Unite deixaram claro que eles têm trabalhado estreitamente com a empresa desde o início de janeiro. Diante de toda a decadência da Waterford Wedgewood — um processo no qual milhares de postos de trabalho já foram perdidos — as relações entre a empresa e Unite têm sido amigáveis.
A principal preocupação do Unite é garantir que os cortes de emprego sejam por meios de pacotes, uma maneira de quebrar a resistência dos trabalhadores — pacotes de demissão por “invalidez” ou pacotes de demissão “voluntária”. Segundo afirmou o secretário do sindicato, Jimmy Kelly, no dia 5 de janeiro: "O sindicato vai colaborar estreitamente com todos os potenciais compradores da empresa, de modo a garantir o maior número de empregos".
Walter Cullen, outro membro do Unite, disse por telefone à imprensa que teve uma conversa com Carston — o representante da empresa — logo após o anúncio do lock-out.
Como disse: "Eu o lembrei que estava quebrando sua palavra, que tinha nos dado um compromisso de que não haveria demissões em larga escala semelhante à imposta em Wedgwood, e que, se uma decisão fosse tomada para fechar a empresa, ele teria de se reunir conosco para debater, pois temos alternativas. O que necessitamos agora é re-estabelecer o processo [de negociação], até que esta decisão seja revertida".
Além de colaborar com os potenciais compradores, os sindicatos irlandeses envolveram-se em conversas com o governo irlandês, para criação de uma nova "parceria" — garantir que os custos do colapso do capitalismo mundial, bem como o salvamento dos grandes bancos irlandeses, sejam repassados para a classe trabalhadora sob a forma de um grande congelamento dos salários.
Nada pode ser defendido por meio dos sindicatos burocratizados, vinculados em todos os aspectos ao capital irlandês e ao capital internacional. Os primeiros passos dados pelos trabalhadores da Waterford Wedgewood apontam para o caminho certo: desenvolver comitês independêntes de trabalhadores, com o objetivo, inclusive, de conseguir apoio de amplos setores da população, na Irlanda e em todo o mundo, que passa atualmente pelas mesmas pressões em seu nível de vida.
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No dia 26 de fevereiro, os trabalhadores da Britânia receberam a notícia do fechamento da fábrica de Camaçari (BA). A unidade produzia ventiladores, ferros elétricos, batedeiras, liquidificadores e espremedores de fruta. Ficaram desempregados 370 operários.
Produção industrial em queda
Os efeitos da crise financeira mundial continuam se manifestando em índices que comprovam uma grande desaceleração econômica. A produção industrial Argentina voltou a cair pelo quarto mês consecutivo. Segundo dados divulgados pela Orlando J. Ferreres e Associados, a produção industrial caiu 12,5% em dezembro de 2008 e 9,1% no primeiro mês de 2009.
Responsáveis pela pesquisa afirmaram que a crise internacional “originalmente financeira” está apresentando “importantes efeitos negativos na economia global, o que inevitavelmente afeta as exportações industriais das economias em desenvolvimento, como a Argentina”.
Um dos setores industriais que mais sofreu com a crise é o automobilístico. O setor vem apresentando quedas consecutivas nos últimos meses. A produção de automóveis na Argentina em janeiro de 2009 foi de apenas 18.720 unidades, o que representa uma queda de 54%. Devemos destacar que o setor automobilístico foi um dos que mais cresceu nos últimos anos, depois da crise que a Argentina atravessou em 2001. Não obstante, nesse período de crise todas as contradições da economia capitalista são reveladas e o mesmo setor que vinha crescendo entra agora em recessão.
Essa queda na produção industrial também é confirmada pela Fundação de Investigação Economica Latino-americana (FIEL). Segundo a fundação, “desde agosto de 2008 o índice de produção industrial vem apresentando dados negativos. Estaria agora indicando um pico e estaríamos entrando numa fase de recessão industrial”. Teria chegado ao fim o ciclo de crescimento iniciado em 2002.
Novas demissões são anunciadas a cada dia
Todo esse processo que aponta para uma queda na produção industrial se traduz para a classe trabalhadora na forma de demissões e mais demissões. A queda na venda de automóveis, a baixa na produção, a queda da taxa de lucro das empresas, tudo isso se traduz em desemprego para a classe trabalhadora. Num cenário de crise, as indústrias buscam cortar gastos e as demissões são as primeiras medidas anunciadas pelos patrões.
Como noticiamos em artigos anteriores, desde o início do ano mais de 150 mil trabalhadores da indústria Argentina estão parados. Muitos tiveram suas férias ampliadas e esperam serem chamados de volta ao trabalho, outros já foram demitidos e hoje engrossam as fileiras do exército industrial de reserva, outros ainda estão na fábrica, mas tiveram seus salários reduzidos e temem pela demissão a qualquer momento. Diante da crise, essa é a situação real da classe trabalhadora. Mais uma vez são os operários que pagam pela crise.
Nessa última semana outras centenas de trabalhadores foram despedidos. A fábrica de caminhões da Iveco, do grupo Fiat, comunicou a demissão de 150 trabalhadores contratados. A Smata anunciou a demissão de mais 270 operários. Mas o maior corte de empregos foi anunciado pela Gestamp, do grupo Volkswagen. A empresa anunciou a demissão de 700 trabalhadores.
A burguesia do campo se levanta mais uma vez contra o governo
Apesar dessa situação dramática enfrentada pela classe trabalhadora, mais uma vez a luta política na Argentina se polariza entre os latifundiários e o governo. Tem se desenvolvido no último mês mais uma grave crise entre o governo liderado por Cristina Kirchner e a burguesia rural latifundiária. Da mesma forma como ocorreu no ano passado, o campo enfrenta o Estado e o pivô da disputa são os impostos cobrados sob produtos agrícolas para exportação.
O conflito já se arrasta por algumas semanas e nessa atual conjuntura, chama atenção a ausência da classe operária na luta política. Essa nova crise entre governo e os grandes latifúndios expressa mais uma vez a crise da direção revolucionária. Em meio a esta disputa estão os trabalhadores amargando os efeitos da crise e o crescente desemprego. Direções corruptas e aliadas ao peronismo kirchnerista garantem a manutenção da “ordem” afastando a classe operária da luta.
Hugo Moyano, caminhoneiro e principal dirigente da CGT, tem sido um dos grandes aliados de Cristina Kirchner nesta crise. É Moyano e a CGT que têm garantido até agora que o frágil governo de Cristina Kirchner se mantenha firme durante toda esta crise e possa aparecer até mesmo diante dos trabalhadores como o único governo capaz de enfrentar o campo.
É interessante notarmos que mais uma vez a luta se polariza entre dois setores da burguesia e, bloqueada pela sua direção traidora, a classe operária tem apenas assistido paralisada ao conflito. Para os trabalhadores argentinos, nem o Estado burguês nem a burguesia latifundiária representam alternativas para a luta. A classe operária precisa se libertar das direções traidoras e construir uma frente verdadeiramente operária que lute por seus reais interesses imediatos, pelo salário e pelo emprego.
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