sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A CRISE CHEGOU À FÁBRICA

Para a Rádio Peão é absurdo afirmar e continuar dizendo que a crise é internacional e ainda não chegou ao nosso país, mais especificamente em nossa fábrica. No Brasil, a Companhia Vale, a maior empresa brasileira do ramo da mineração, anunciou a demissão de 1.300 funcionários e 5.500 outros são obrigados a aderir a férias coletivas. A Vale também divulgou na imprensa que duas unidades irão “parar temporariamente”. A ArcerlorMittal (grupo dono da Vega do Sul) anunciou que pretende demitir até 9.000 empregados no mundo, inclusive no país. Na Whirpool, é necessário derrubar as afirmações segundo as quais não existe crise.
Primeiramente, várias demissões vêm ocorrendo. É visto por todos o grande número de trabalhadores que estão sendo demitidos na fábrica, mês a mês, depois do estouro da crise, mas é difícil chegarmos a números, porque eles não são oficializados pela empresa. Outro problema é o grande remanejamento de operários com a intenção de demiti-los. Em razão do tamanho da fabrica, é difícil estimar quantos trabalhadores são demitidos sob o pretexto de remanejamento.
Outro indício da crise é o fechamento de linhas e a denúncia, feita pelos trabalhadores das empresas terceirizadas responsáveis pelos estoques e o transporte, de que os estoques estão abarrotados de produtos à espera de vendas, principalmente nas linhas de exportações. A situação dos estoques e as demissões não são ainda piores por causa da situação das vendas no mercado interno. O país ainda está ainda aquecido e tem fôlego neste fim de ano para vendas, promovidas principalmente pelas datas de fim de ano natal e ano novo.
Outra circunstância agravante são as férias. Muitas linhas vão parar e dar férias, situação que a direção da fábrica promove em virtude dos estoques e da queda de vendas para o exterior.
A partir desta situação de crise os dirigentes da fábrica tomam estas medidas de demissões e férias, esperando para ver como o mercado interno e externo se portará a partir do ano que vem. Nem a empresa, nem o sindicato pelego e patronal se declararam oficialmente aos trabalhadores sobre a crise que se abateu em nossas portas, em uma atitude de clara enganação aos operários. Principalmente o sindicato que deveria ser o responsável de estar informando e alertando sobre a crise, e, mais que isto, protegendo os trabalhadores das demissões. Mas todos nos já estamos cansados de saber para quem o sindicato trabalha e por quem ele luta.
É necessário atenção de todos, pois os períodos de crise fortalecem a situação de assédio moral por parte de dirigentes, que se aproveitam do medo dos trabalhadores de serem demitidos para coagi-los, garantindo seus interesses de exploração do trabalho.
Se a pouco tempo vivíamos uma época de vacas gordas com muitas ofertas de emprego e tranqüilidade de sair da empresa, hoje vemos que a situação está se revertendo, em direção da crise que chegou. Por isto proclamamos a todos: Força e Coragem para enfrentar esta situação de desempregos e de recessões vindo de todos os lados!
Trabalhadores da Whirpool, é preciso lutar e resistir, abaixo o desemprego e a exploração!
*Grégorio Mendes-Trabalhador e comentarista da Rádio Peão.

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